sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Abaçaí - Sussurro da Mata

Um comentário
((Escrevi esse conto para uma seletiva de contos que participei no meio do ano. O tema era "Conto de Terror", gênero no qual nunca me arrisquei antes. Para falar a verdade, nunca li livros de terror (com exceção do Demonologista que, convenhamos, é horroroso. ) nem tenho o hábito de ver filmes dessa temática, o que tornava meu mundo de referências limitadíssimo.

Para ajudar, tínhamos alguns elementos que precisavam ser trabalhados na trama, como a presença de um animal que precisava resolver um conflito, os protagonistas precisavam ser índios e tinha de ter dois irmãos que se envolveriam em dada situação.

Acabou que escrevi tudo numa madrugada, mas ainda sim foi bem divertido explorar uma cultura que não conheço em um gênero do qual não tenho referências. Devem existir alguns erros de escrita na linguagem tupi, mas fui até onde a pesquisa de uma madrugada permitiu. No futuro, espero poder explorar melhor essa cultura, em um mundo de fantasia, bem longe do terror haha.))


Sussurro da Mata

Laura Ribeiro
                                   
– Vem Potytínga, a festa vai começar!
– Depois, Tatamiri. Avisa mamãe que vou depois.
            Ele ainda ficou ali por mais algum tempo, esperando para ver se eu mudava de ideia. Acenei pra que fosse embora logo. Não ousaria contradizer sua irmã mais velha.
– Vai também, Kûarasý. Se comer mais pitanga vai acabar virando uma. – Seus olhos pretos arregalaram como duas jabuticabas. Era novo demais para falar, mas entendia tudo o que dizíamos sem dificuldade. – Os passarinhos vão gostar de uma pitanga grande e gordinha como você. – Sem pestanejar, Kûarasí cuspiu as três frutas que tinha na boca e saiu em disparada atrás de nosso irmão, voltando para a festa que começava na aldeia.
Cairê já brilhava no céu, iluminando a noite e dando espaço para as danças que começavam no ritmo da música. Era noite de celebração do Deus Rudá, mas eu tinha coisa mais importante pra fazer do que me preocupar com a geração de filhos.
– Tu vieste... – O farfalhar da mata deixou que uma voz docemente familiar chegasse por trás de mim. Estava entre as folhagens, onde eu não podia vê-lo.
– Você disse que tinha uma surpresa para mim? – Eu não queria soar ansiosa, mas a verdade é que nada mais ocupava minha mente desde a promessa de meu amigo sem nome. Conheci-o há alguns dias. Uns dois ou três, não tenho certeza, só sei que já era o bastante para preferir sua companhia à dos anciões da aldeia, com toda aquela história de ter filhos e arranjar um guerreiro logo.
– E eu já menti pra ti? – Interrompeu-me o pensamento com sua voz melodiosa, e logo as árvores se afastaram, dando espaço para que uma enorme luz surgisse da terra, ondulando em formas que logo animavam um corpo à minha frente. – Vem comigo, Potytínga.
Eu fui.
Segurei sua mão quente e deixei-me levar pelo aperto suave em minha pele. Sem nome não tinha rosto, nem cor, mas era quem me entendia na tribo.
– E tem mesmo pássaros brilhantes aqui na floresta? – Ele não respondeu, sorrindo com a alma e dançando à minha frente.
Não sei por quanto tempo andamos. Não queria saber. Se fosse preciso cruzar a floresta até o mar, eu certamente o faria ao lado de sem nome. Era como se meu espírito chamasse o dele.
Mas logo paramos, e ali estávamos nós dois, em meio a uma clareira silenciosa. Cairê, a Lua, não nos alcançava ali com seus raios, mergulhando-nos no aconchego da mata fechada.
– Olha pra mim, Potytínga.
Obedeci ansiosa, e logo meus olhos se encheram com a imagem inebriante dos pássaros que circulavam a área. Eram brancos, tão puros que podia ver através de seus pequenos corpos. De seu interior saltava luz, deixando um rastro brilhante atrás da cauda ondulada.
– É lindo... – Sussurrei, surpresa demais para continuar falando. Meus olhos, agora acostumados à escuridão, acompanhavam aqueles seres fantásticos, deixando-me estática de tanta excitação. – E eles cant... – Antes que eu pudesse terminar de falar, ouvi um breve piado. Não vinha do alto, onde aqueles pássaros estavam, mas de baixo, bem perto de mim.
– Não, Potytínga! – Meu amigo chamou, mas não tive tempo de olhar. Aos meus pés repousava um pequeno pássaro cor de terra, piando fraquinho no meio das folhas.
Agachei-me para ajudá-lo, reparando na asinha quebrada. Não era difícil de consertar, só precisaria de...
– NÃO! – Um bufão quente soprou por trás de mim, jogando eu e o passarinho longe. Estiquei o braço e puxei-o para perto de mim, tentando nos proteger do vento que soprava violento.
– O-o que é...
– NÃO, Potytínga...! – Os pássaros que antes brilhavam no ar mergulharam em minha direção, esfacelando-se contra o ar e deixando chover sobre nós pequenos estilhaços cortantes. Senti minha pele rasgar, mas o medo que me tomava não dava tempo para a dor. – Eu disse... NÃO! Você tem de olhar pra MIM! – O ar tornou-se gélido, e logo meu corpo era jogado de um lado para o outro pela ventaria. Sem nome agarrou meu rosto e me puxou para perto dele.
Tentei me desviar, ainda confusa pelo que acontecia, e joguei-me do alto, mergulhando na lama. O filhote havia caído de meus braços, e eu não fazia ideia de onde estava.
– Para... MIM! – Gritou mais uma vez, e logo a floresta se apagou.
Ouvi um farfalhar muito próximo, e não pude mais lutar contra o torpor que subia-me as pernas.
Apesar de não enxergar nada à minha frente, podia sentir seus dedos gelados esgueirarem por minha pele, rasgando a superfície como espinhos maduros. Minha garganta fechou. O ar faltava, obrigando-me a inspirar repetidas vezes.
A sombra cresceu mesmo no breu em que havia me metido, e logo puxou meu rosto, envolvendo-me no vapor malcheiroso do pântano, forçando-me a encará-lo nos olhos vazios como noite sem estrelas.
– Potytínga... – Meu nome corria o vento e desaparecia à minha frente. Tentei fechar os olhos, mas o nada de sua expressão me mantinha paralisada. O medo fazia com que minhas pernas tremessem, e pensei que fosse cair, não fosse aquelas mãos gigantes que, aos poucos, erguiam-me no ar. – Estou esperando, Potytínga...
– A-abaçaí... Cadê o Sem Nome? – Sussurrei entre gorgolejos, tentando disfarçar os olhos marejados. Diante de mim erguia-se a figura horrenda do Abaçaí, uma entidade sombria que tomava a alma de índios perdidos. Eu não podia acreditar nisso...
A figura riu, enchendo o ar com uma gargalhada pesada.
– Já ouviste falar de mim...
– E-eu não tenho medo! – Gritei. Minha voz falhou, mas impediu que a primeira lágrima escorresse.
– Então você sabe o que eu quero... – Ele falava devagar, arrastava as palavras, como se pudesse farejar todo o desespero que eu tentava esconder.
– Eu não tenho nada pra você. Me deixa ir!
Pisquei uma vez, e tive a impressão de ouvir um trovão vindo de longe. A figura recuou, largando-me no chão, mas voltou em seguida, pressionando seu corpo disforme sobre minha cabeça. Tentei levantar, mas seu peso sufocava-me na terra.
– Tupã não virá. – Ele grunhiu entre risos abafados. – Tua Añã, tua alma, já é minha...
– Não! – Cedi ao medo, e comecei a gritar desesperada. – Q-qualquer coisa, mas minha alma não... – Minha boca estava inundada pela lama, e folhas já me machucavam os olhos quando Abaçaí decidiu puxar-me novamente para o alto.
– Qualquer... coisa? – Sua voz grave fazia meu peito apertar, e era como se algo comprimisse dentro de mim. – Potytínga... – A maneira asquerosa como pronunciava meu nome fizera-me arrepender do pedido no instante seguinte. – Dá-me o sangue do teu sangue... Corta-lhes a garganta e traz para mim. Enlameia na lágrima dos teus irmãos.
– O-o quê?! Isso... isso não! – Agarrou-me novamente pelo pescoço e colou os lábios apodrecidos na lateral do meu rosto. – Isso não!
– Escuta, Potytínga.... Dá-me a carne dilacerada de teus irmãos. Ou voltarei por tua Añã. Até lá, cada fruta que provares dessa floresta se transformará em um verme a provar-te por dentro. Cada gota que usares para molhar os lábios será ácido a corroeres tua carne. E cada segundo que respirares na presença de teus irmãos, será um novo dia de tormento em tua vida.
            Tentei responder, mas o choro convulsivo tomou-me de súbito, e logo ele desapareceu, deixando um segundo trovão soar mais próximo.
Tupã não havia chegado a tempo... e agora eu tinha um acordo com Abaçaí.
...
Despertei na manhã seguinte do lado de fora da mata. Meu estômago grunhia como um filhote de porco e, ao meu lado, estava o passarinho de asa quebrada.
– Não foi um sonho...
– O que você ta falando aí, Potytínga?
Levantei em um salto, escondendo o pássaro na faixa da cintura. Tatamiri e Kûarasí estavam parados à minha frente, encarando-me à espera de uma resposta. Tentei dizer qualquer coisa, mas fui impedida por um súbito calor que me subiu o corpo. Senti algo coçar na minha nuca e logo rastejar para meu ouvido.
Dá-me a carne dilacerada de teus irmãos...” O sussurro rasgou minha pele e parou dentro da cabeça, pressionando meus olhos para fora do corpo. “Dá-me...”
– Nada! – Gritei enquanto puxava ar. – Não é nada, seus filhotes de curió! Voltem pra aldeia!
– Nem pensar. Já viu a quantidade de fruta que ta dando na mata? Só um bobão deixaria pra lá. Vem Tatamiri, vamos comer. – Saíram correndo em direção à mata, sem me dar tempo para reagir. A imagem de Abaçaí ia e voltava diante de meus olhos, e o arrepio na nuca não parava de me incomodar.
Eles estão aí, Potytínga... Aproveite a chance...”
– Não entrem a... – Um choque rasgou minhas costas, fazendo com que meu corpo dobrasse no chão repetidas vezes.
“A cada segundo que respirares... será um novo dia de tormento...”
Tentei responder, mas a voz soava dentro da minha cabeça, em algum lugar que eu não podia alcançar.
Anda, Potytínga... Serve-me o sacrifício...”
– Eu não vou... – Minha coluna dobrou, lançando-me sobre a lama com uma violência incomparável.
Vai...”
Antes que me desse conta, meus pés já se agitavam, levando-me para o interior da floresta. Senti meu espírito deslocar da carne, e logo eu subi.
Vai...”
Eu não sabia, exatamente, onde estava. Meus olhos ainda enxergavam a mata, minha pele ainda molhava com o orvalho das plantas, mas meu espírito não estava ali dentro. Era como se eu me tornasse espectadora das minhas próprias ações.
– Vou. – Minha boca falou. Não era eu. O que estava acontecendo? Tentei me debater em vão. O corpo não se mexia. Meu espírito se agitava em uma casca que se recusava a obedecer os meus comandos, e agora corria em disparada pela mata densa.
– Kûarasý! – Minha voz gritava, e eu queria afogá-la, mas não tinha força para agir. Não tinha sequer consciência de meu próprio corpo agora, o que poderia fazer?
– Não me enche, eu não vou voltar. – Meu irmão estava escorado em um galho. A boca cheia de pitanga.
“Vai...”
– NÃO! – Tentei gritar, mas tive a garganta subitamente cortada, lançando as palavras pelos ares. Uma torrente escaldante logo mergulhou no meu espírito, prendendo-me na própria carne que eu não mais controlava.
O meu sacrifício...”
Meu corpo ia caminhando na direção de Kûarasý, os olhos fixos no seu rosto sujo. Tentei me libertar, mas havia algo muito mais pesado mantendo-me inerte. Não... Meu irmão!
“Mata!”
Logo minhas mãos fecharam-se ao redor do seu pescoço. Ele tentou lutar, mas minhas pernas prendiam seu corpo de criança no chão. Os dedos massacravam a pele fina, comprimindo as veias sem qualquer piedade. Meu rosto ria. Não era eu... Não podia ser eu...
“Mata!”
Os olhos de meu irmão começavam a sair de órbita. Ele chutava o ar sem qualquer resultado, e logo parou. Dos lábios escorria uma fina baba transparente, lançando a língua suja de fruta pra fora da boca. Tentei abraçá-lo, mas meu corpo se recusava a mover.
Foi num gesto súbito que eu pude recuperar as forças, desvencilhando-me do desespero para retornar à carne.
– K-Kûarasý... – Sussurrei, finalmente retornando a mim. A floresta enegreceu. Abaixei-me sobre seu corpo, incapaz de acreditar no que via.
“Está morto.”
Estava morto.
“Você o matou.”
Eu o matei.
“ Você fez sua escolha. Matou para não ter que sofrer.”
Não...
Eu o matei.
Meu corpo tremia, embaçando a visão com as lágrimas que começavam a saltar. Não era medo o que eu sentia, mas pavor, de mim mesma.
“Você matou, Potytínga.”
O sussurro envolvia-me lentamente, acariciando minha pele com seu toque gélido.
“Matou.”
Senti quando tudo se apagou. Minha respiração pesava entre soluços que eu não tinha o direito de proferir. Tentei tocar o rosto de meu irmão, mas ele não estava mais ali.
Eu estava sozinha.
“Não tem mais ninguém.”
Não...
“Só eu e você.”
A sombra ergueu-se de súbito por minhas costas, mergulhando com violência sobre mim. Meu corpo tremeu, e logo fui invadida por cenas de desespero e raiva. Eu havia matado.
“Vamos...”
Apesar de não poder vê-lo, senti sua mão erguer-se na direção da minha. Tentei levantar os olhos, mas estavam demasiadamente pesados pelas bolsas que se formavam na parte inferior.
Suspirei, e foi como se meu espírito finalmente desistisse. Soltei o corpo, mas, antes que pudesse cair, um longo piado cortou o ar à minha frente, fazendo com que eu despertasse do transe.
De minha faixa saltou o pássaro, agora vertido em chamas, entoando um canto suave, enchendo o ambiente de luz.
Abaçaí surgiu em sua forma espectral, tal qual fumaça em meio a noite, rangendo o corpo etéreo por entre as folhagens pesadas do orvalho.
Notei quando ele saltou, esquivando-se do mergulho do pássaro em chamas.
– Yorixiriamori...? – Sussurrei deslumbrada com sua beleza. Era um Deus pássaro há muito não visto, exilado pela inveja dos próprios homens.
Ele cantou alto, e era como se, no meu peito, uma luz forte vibrasse. Abaçaí não gostou, recuando por entre as sombras. Seu grito grave tremeu a terra, mas estava longe de afetar o pássaro.
Encarei-o, e só então me dei conta da disformidade de seu ser. Os olhos múltiplos saltavam por entre sombras, como se fosse uma aranha antropomorfizada, etérea entre restos de gente.
Antes que eu pudesse pensar em correr, ele saltou sobre mim. O rosto, antes vazio, abriu-se em uma boca infestada de dentes pontiagudos, e roçou por minha pele, levantando-a com cortes consecutivos.
Gritei alto, mas não conseguia lutar. Seus dedos colaram no meu rosto e começaram a torcer minha cabeça.
De minha boca saltava a bile do vômito que não vinha, e em minha mente dançava a imagem do irmão que eu matara. Seus dedos entravam agora por baixo de meus olhos, erguendo-os sem descolá-los da órbita. O gélido de suas mãos logo alcançou o interior de minha cabeça, rompendo-se em uma dor aguda.
– Yori... – Tentei falar, mas a língua pendia inerte para fora de minha boca. – xi...
O pássaro ouviu.
Com um jato de luz, projetou-se sobre mim explodiu em um clarão.
“Vem... Vamos juntos.”
Não era mais Abaçaí quem falava, mas o pássaro de Yorixiriamori.
Eu sabia o que tinha de fazer.
Encarei o monstro com o que me restava de força e, concentrando as chamas que surgiam em meu peito, empurrei meu corpo em sua direção. Colidimo-nos e, nesse ponto, algo explodiu dentro de mim. Tomando-nos de luz e vazio ao mesmo tempo.
“Vamos...”
...

Levantei em um salto. Estava novamente na oca.
Arrastei-me para fora, desvencilhando da palha que cobria a porta, e me deparei com os mais velhos se arrumando para o festival da Lua.
Foi.... Foi tudo um sonho?
Encarei minhas mãos trêmulas.
 Um vento leve soprou por trás, e logo senti algo subindo por minhas costas.
“ Potytínga...”
Meu corpo enrijeceu. Era real.
“ Nosso acordo está quebrado... mas cada vez que tu, ou qualquer ser que pisar sobre essa Terra, adormecer, eu estarei lá. Ficarei ao teu lado, até que em teus sonhos mates alguém. E mates. E mates. E mates.”
Meu peito rugia com as batidas aceleradas.
“Estarei esperando até que, enfim, decidas matar-te.”
Suspirei.
Não havia mais luz à minha frente.
Eu havia matado.

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

FIQ Jovem - Aula 16 (Checkpoint!)

Um comentário
Alou! Veja só, estou cumprindo minha promessa de atualizar aqui. ahuahuahu


Bem, continuando o esquema das aulas do FIQ, volto com a número 16. 
Ah, claro, o menu (a quem interessar):

Aula 1 (Introdução e tirinhas)
Aula 2
Aula 3 (gêneros e quadrinhos)
Aula 4 - (Brainstorm e produção)
Aula 5 (layout)
Aula 6 (Mais layout)
Aula 7 (Layout de novo, mas com emoções)
Aula 15 (Construção de Personagem)

A aula de 24/09 foi tranquilona. Tivemos o tempo da aula para adiantar a produção e fizemos um checklist do que já havia sido feito até então. Eu já estava ansiosa, certa de que estava atrasadérrima, mas não foi bem assim (ufa!). Acaba que, por conta do trabalho e dos freelas, eu tenho só o domingo e a viagem diária de ônibus para desenhar, ou seja... haha Orz.

Enfim. 

Como não tenho nada realmente legal para mostrar (teria de tirar foto, e ain't nobody got no time for that), vou falar sobre o processo que estou fazendo (por hora) para um dos quadrinhos.

Não entrarei na questão da formulação da ideia porque meu processo é completamente aleatório. Eu pego palavras e elas viram personagens. E depois vem o plot.

Se quiser um exemplo, outro dia tava ouvindo um podcast e usaram a palavra "chafurdar" no meio do assunto. Meu cérebro meio que travou e a primeira coisa que veio na minha mente foi a imagem de uma pessoa mais velha, de capa de veludo azul, tentando se levantar da lama, mas sem forças para isso, caindo repetidamente. E pronto, o plot foi se expandindo pra frente e para trás e logo eu tinha um conto e um personagem legal.

Então, para todos os quadrinhos desse curso foi exatamente do mesmo jeito, com palavras e interpretações diferentes. Por isso, vou pular direto pra parte prática.

Comecei desenhando rascunho no papel dobrado, menorzinho. Antes disso eu imagino a história e organizo, ainda mentalmente, a ordem dos quadros, falas etc. Então passo para o papel deixando as coisas mais ou menos como espero que fiquem no final.

Daí redesenho na folha em A4, bem clarinho, e passo, com o lápis, novamente sobre os traços que eu quero que sejam mantidos na versão final. Ou seja, passo nos personagens e nas bordas de itens do cenário.



Em seguida eu escaneio (Não faço ideia do modelo do meu scanner, mas é sempre em 600dpi) e passo para o Paint Tool SAI. Ali eu subo o brilho e contraste até ficar apenas com a linha em evidência:

Daí eu transformo essa layer em Multiply nas opções de camada e crio uma nova embaixo, que é onde começo a colorir. Eu sempre faço camadas múltiplas para cada segmento do desenho, como pele, cabelo, roupas etc.

Esse processo é bem rapidinho, o que toma meu tempo é a definição de cores do quadrinho. Não, não pergunte sobre esse processo porque ele é super master blaster aleatório! Eu me sinto como aquele cão que está diante do computador e não faz a mínima ideia do que está fazendo.



Mas bem, eu vou testando uma a uma em várias camadas e, à medida que for gostando, vou salvando ali na esquerda, naquele campo maravilhoso para mistura de cores. Assim como faço com a moda Lolita, eu foco em combinar duas cores principais, porque é o máximo que meu cérebro consegue processar em termos de colorido. auhahuahuahuahu
WTF IS HAPPENING
E aí, é isso. Eu repito incessantes vezes até terminar tudo.
Uma coisa muito importante é que eu anoto todos esses passos para repetir ao longo do quadrinho, se não a chance deu chegar na segunda página, e já ter esquecido como foi o processo da primeira, é muito grande.

Quando eu tava fazendo aquele pra prevenção do câncer de mama, eu tive de refazer três vezes porque simplesmente não lembrava como tinha feito a página anterior... foi um sufoco! (e agora lembro que ainda não postei ele aqui! Farei isso logo!)

Então, pra hoje é isso.
Devo voltar logo aqui pra falar dos livros que venho lendo (comecei o do The Witcher essa semana e to devorando ele! É muito bom mesmo!)

Até lá!

sábado, 17 de setembro de 2016

FIQ Jovem - Aula 15 (Construção de personagem)

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Alou! Não, eu não me esqueci das aulas, nem de atualizar aqui. Esse mês está sendo doidão na minha vida, e muita coisa ta mudando aqui na minha rotina.



E é claro que continuo fazendo as 138123819379 coisas de sempre. Tenho de atualizar aqui sobre o Desafio Coord (que foi lindo!), A leitura de Cain, de José Saramago, Nós, Os Afogados, Os Dez Mil Imortais e sei lá quais outros livros (comecei O Rei Negro hoje! Ta prometendo na introdução). Tem também a compra das minhas primeiras Copics, minha construção de uma tabela de freelas, sobre a montagem de uma escrivaninha que comecei e um projeto de costura novo.

Mas isso fica pra quando eu tiver tempo de escrever com mais calma. Pra hoje, venho atualizar sobre a aula do FIQ e a continuidade das postagens dos quadrinhos. Aproveito para fazer um menu com todas as postagens de aula até agora:

Aula 1 (Introdução e tirinhas)

Aula 2

Aula 3 (gêneros e quadrinhos)

Aula 4 - (Brainstorm e produção)

Aula 5 (layout)

Aula 6 (Mais layout)

Aula 7 (Layout de novo, mas com emoções) 

Então vamos lá com a aula 15.
O tema de hoje foi todo voltado para a concepção de personagens levando em consideração coerência, forma, personalidade etc.

Uma das coisas mais legais foi a respeito de formas geométricas na construção da personagem, coisa que eu não consigo fazer ainda. Se o rosto não for ligeiramente redondo eu já começo a achar estranho. Ta aí mais uma coisa pra treinar.

 Acho que essa imagem é ideal para resumir o que vimos hoje:
Fonte: http://www.characterdesignpage.com/resources.html

Para leitura de referência, ficaram:
(Não conhecia nenhum dos dois!)

  1. Tom Gauld
  2. Cuttlas

Na segunda parte da aula tivemos a visita da Rebeca Prado (aquela de quem eu já comprei todos os lançamentos até agora) e ela nos falou um tanto sobre os arquétipos de Jung (lembra desse cara nos meus posts durante a faculdade? Claro que não, era em outro blog.) e sobre a importância da cara de pau de chegar nesses eventos de quadrinho oferecendo sua produção pras pessoas pra formar rede de contatos.

Tenho certeza de que já falei a respeito aqui no Blog, né? Na área literária é a mesma coisa. Saber socializar e saber chegar nas pessoas assim nessas feiras faz toda a diferença (não foi assim que o Caldela conseguiu avançar na carreira de escritor?). E se tem algo que preciso superar é isso. Geez! Como chega numa pessoa falando essas coisas? uahhuauha vou ter de me drogar no dia pra conseguir algo assim.

 ENTÃO,

O dever de hoje era levar as suas páginas finalizadas. Acabei levando a da história da menina Kamikaze (que levou a semana inteira pra ficar pronta):


Vou deixar pra falar do processo outro dia (tenho mil prints pra isso), mas já aviso que chegar nesses cores aí foi a maior tentativa e erro da vida da colorização.

Enfim, tive de refazer o quadro do meio, e tá ficando assim:

Algo melhor, né?
Vou tirar uns dias pra treinar perspectiva. Ô coisinha difícil de absorver, viu?!

E olha que interessante; O primeiro layout da história dessa personagem era idêntico ao layout final dessa versão de agora:


Ufa! 'Orz
A semana agora é para finalizar as próximas páginas e adiantar as 9dades que virão para esse último trimestre.

Até lá!

domingo, 4 de setembro de 2016

Resenha Literária: Segredos do Reino

2 comentários
Ei gente!

Alguns meses atrás eu falei sobre o evento de lançamento de Segredos do Reino aqui em BH, na Leitura do Shopping Pátio Savassi, você se lembra?


Foi no meio de julho, mais ou menos, que terminei de ler (depois de Nós, Os Afogados, sobre o qual ainda falarei a respeito por aqui), mas só agora achei tempo para fazer uma resenha digna desse lançamento super mineiríssimo!

Para quem não lembra do livro, aí vai um refresco para sua mente:


Segredos do Reino
Lucas Hargreaves
ISBN: 8542807197
Páginas:352
Lançamento: 2015
Preço: R$9.90
Editora: Novo Século
"O que uma princesa, um comerciante sem sorte, uma pintora excêntrica, o líder de uma quadrilha, um monge amnésico e um homem depressivo com apenas dez centímetros de altura têm em comum? Bem, por ora apenas um único objetivo: desmascarar o perverso rei Clausius perante a população do reino, destronando-o de uma vez por todas. Conseguirão eles lidar com todos os obstáculos que atravessam seu caminho, incluindo o próprio exército real?"
"Há peças demais no xadrez. É hora de chacoalhar o tabuleiro." - Rei Clausius 
Enfim, preparado?

O livro é um lançamento pela Editora Novo Século e foi escrita por Lucas Hargreaves, publicitário (e agora, escritor) daqui de BH mesmo!

Segredos do Reino

A história, super rica de personagens, tem o foco em dois arcos principais: O arco de protagonistas Miguel e Clarissa, e o arco do "vilão"  Clausius. Miguel é um jovem comerciante (responsável por um mini museu em Merquillian -  nome do reino) com um passado cheio de mistérios. E Clarissa é uma princesa, filha do antigo rei, hoje substituído por seu irmão, Clausius.

Uma das coisas mais legais do livro é essa divisão de storylines que colocam as duas narrativas em contraste, deixando claros os objetivos dos personagens "mocinhos" e do "vilão", garantindo acesso à linha de raciocínio de cada um deles.

Outra coisa que achei muito boa foi a variedade de personagens. Segredos do Reino remete àqueles bons RPGs que costumávamos jogar em consoles, a lá Chrono Trigger e Tales of, com uma party recheada de integrantes completamente diferentes que transformavam a experiência da aventura.

Miguel e Clarissa, depois de uma série de reviravoltas (que não vou contar aqui!), partem em uma jornada de fuga, e nesse caminho encontram Aramilon (um bandido super descolado! - meu favorito), B. Lunar (uma pintora tagarela), Jonas (um anão depressivo) e Abel (um dos personagens mais legais, sério! Ele renderá uma boa dose de risadas).

É na interação com esses personagens que a série vai ganhando corpo, dando mais força para a narrativa e construindo um sentido para a tal jornada. É revigorante encontrar, na literatura nacional, esse tipo de texto que nos prende e nos faz afeiçoar às personalidades tão bem construídas. Não duvido que logo surjam uns fandoms com os personagens de Segredos do Reino por aí, hahaha!

Falando em personagem, tomo agora a liberdade para falar sobre Pandora, a minha favorita nessa história toda! Ela faz parte do arco de Clausius, o rei super sádico de Merquillian.

Quadrinho que fiz para mostrar o Rei Clausius.

Na história, Pandora é uma mulher independente, super-poderosa-cheia-de-si, com um poder de transformação da narrativa que me encheu de expectativas. Os diálogos ferozes, a maneira como ela se porta (e garante autoridade mesmo diante do temido Clausius) e toda a mística que é construída ao redor da sua persona (para não falar no passado sombrio que cria a possibilidade de conexão com vários outros personagens da trama) criam um interesse impossível de ser negado. Sério, ela é maravilhosa, e torço demais para que ganhe mais páginas na continuação de Segredos do Reino.

Não sei exatamente o público que Lucas pretendia com esse livro, mas pela narrativa entendo que logo poderá ser um sucesso na transição do infanto-juvenil para jovens adultos. Segredos do Reino é uma narrativa fantástica, ambienta em um mundo medieval repleto de signos e particularidades próprias.


Vale a leitura, e o incentivo à literatura fantástica brasileira. <3

domingo, 7 de agosto de 2016

Oficina: Primeiros passos da editoração para autopublicação, com Lila Cruz

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Na sexta feira passada (29) aconteceu o Lady's Comics aqui em BH. É um evento, que está em sua segunda edição, voltada para a produção feminina de quadrinhos. Algumas oficinas bem legais foram abertas e eu acabei me inscrevendo para a de Editoração e Autopublicação, com a Lila Cruz.

Quando me inscrevi, estava certa de que seria algo sobre a editoração de quadrinhos, em si, mas acabou que a oficina foi toda voltada para zines mesmo.

 Começamos já recebendo um zine que mostra como fazer zines :D


Ele é bem sucinto e traz algumas informações sobre formato, escolha do papel, acabamento etc. De um modo bem prático. Ótima referencia para guardar!

Lila começou a oficina explicando sobre o mercado para compra e venda de zines. Explicou como ela começou investindo nisso (compartilhou o percurso dela como 'zineira') e então entrou na parte central sobre produção de zine.


Uma curiosidade importante é que a Lila adquiriu uma máquina de impressão em serigrafia, que é capaz imprimir mais de 15 mil cópias com um galão de cor. Desse modo a produção de zines fica muito mais em conta do que se ela estivesse usando uma impressora a laser ou tinta em casa (ou mandasse imprimir em gráficas), considerando a quantidade que ela produz, é claro.

Vou listar aqui algumas das possibilidades de produção de zine (produzir um montão de uma vez só), sem ordem de importância, mencionadas na oficina:
  1. - Impressão caseira;
  2. - Xerox;
  3. - Fazer à mão (haha, você não vai querer essa);
  4. - Gráfica ($$$);
  5. - Carimbo personalizado (vimos um cara que produz um carimbo gigante para cada página e depois só carimba tudo)
  6. - Colagem;
  7. - Distribuição digital;
  8. - Fotografia (da pra fazer fotonovela e depois copiar as fotos milhares de vezes);
Bem, apesar de nunca ter usado essa expressão (zine), eu cheguei a montar alguns livrinhos de personagens meus para um trabalho de faculdade (que virou minha missão de vida).


Para essa alternativa, eu fiz todo o desenho digital e imprimi em casa mesmo, em impressora a tinta, página por página.

Confesso que achei o processo bem divertido, mas não ousaria repeti-lo. Hauahauahua

Digo isso porque planejei as 16 paginas à mão (desenhando um esquema onde cada uma focaria) depois fui encaixando-as nas folhas em frente e verso, e imprimindo folha a folha (a gramatura que escolhi era pesada demais pra minha impressora, então eu tinha de ir empurrando o papel pra dentro individualmente).

Para a capa, fui à gráfica rápida e pedi para imprimirem para mim, e daí foi outro sufoco porque usavam RGB e não CMYK. Hauahaua! O verde saía sempre muito vibrante e foi um parto até achar o certo.

Essa foi uma das versões com cores erradas. O papel também foi errado e lascou no rosto do personagem.
Encontrar o papel certo também foi sofrido. Passei horas em lojas de material de escritório testando textura e transparência, ate achar algo que acreditasse ser apropriado. Mas deixa que conto sobre o processo em outro post.

Voltando à oficina, depois de uma longa conversa sobre papéis, chegou a minha segunda parte favorita: referências (a primeira é botar a mão na massa). Lila trouxe uma série de fanzines diferentes, indo desde o fofíssimo Mix Tape, da Lu Cafaggi, até o super hiper legal Zine XXX todo impresso em rosa.

Pegar nessas peças realmente enche nossa cabeça de ideias. Meu caderno ia se entupindo de anotações à medida que eu pegava no próximo zine, e até mesmo me ajudava a entender o que eu não gostaria para meus quadrinhos.

Foto da oficina. Eu estava no canto direito, fora da foto.
 O ponto final foi sobre a distribuição dos Zines, a parte que acho mais difícil.

Digo que é a mais difícil porque essa, infelizmente, não depende só de você. Depende das suas habilidades sociais (coisa que não tenho), da qualidade do seu trabalho e, claro, do interesse do outro. Se eu pudesse desenhar e escrever para sempre só para mim, e ganhar dinheiro com isso, seria maravilhoso e perfeito = meu mundo ideal. Infelizmente não é bem assim (pode ser em algum futuro próximo), e daí você precisa convencer as pessoas de comprar o seu material, de distribuí-lo, de falar bem etc e tal.  Precisa ir às feiras, precisa conversar com as editoras, precisa fidelizar e alimentar o seu público.

E... essa parte realmente me desanima Orz

Enfim. Por hoje é isso. Outro dia eu posto um passo-a-passo de como fiz os quadrinhos (zines) de Jeghen Fal 279 e explicado tintim por tintim.

Até lá!



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

FIQ Jovem - Aula 7 (Layout de novo, mas com emoções)

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Hallo!
Tentando manter o blog atualizado com as últimas aulas, venho hoje falar da número 7, do dia 23 de julho.


Nessa aula nos mantivemos na questão do Layout, com foco em timing e composição na hora de buscar um objetivo emocional para a história. O mais legal foi a quantidade de referências que nos foram apresentadas (eu conheço muito pouco de quadrinhos fora os mainstream, então é sempre proveitoso quando nos passam mais referências). Dentre elas, alguns títulos como Bullet Coprs, Darkness, Gourmet etc.

Uma das coisas mais importantes da aula, porém, foi nos lembrar de que, sempre que formos montar um layout devemos pensar "Qual sentimento quero passar com meus quadros?" antes de qualquer coisa.

Para isso, podemos considerar em uma série de pontos:

- Cores

 Acho que o uso de cor é o mais óbvio para a criação de emoção. Tons escuros para coisas tristes, vermelho para cenas fortes etc e tal.  Apesar dessas coisas serem bem intuitivas, catei esse guia a respeito de cores e emoções:



https://thinklivebepositive.wordpress.com/2014/04/04/fiction-and-film-assignment-2/color-emotion-guide/

Sempre que alguém me fala de cores em quadrinhos eu lembro dessa tira sobre Game Boy que saiu há alguns anos, em gif: (Acho o esquema de cores e a sensação nostálgica que ele passa incrível!)

http://intradayfun.com/2015/06/the-beauty-of-the-nintendo-game-boy/


- Timing

Timing é uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado a respeito até essa aula. É outro ponto bastante intuitivo: quadros grandes levam mais tempo, quadros pequenos levam menos tempo.
Quer um exemplo?


Fonte

Aqui da pra ver que a explosão leva mais tempo do que a 'olhada' da personagem e, por isso, pega um quadro muito maior.
O timing está nisso, em pensar no ritmo da história com seus quadros, diálogos, desenho etc.

- Ângulos e enquadramento

Ángulo é uma coisa que a gente vê na novela o tempo todo. Na faculdade aprendemos que enquadramentos recebem também nomes de 'planos", tipo o americano, o close etc.

Aqui vão exemplos:


Sabe quando dá o close no programa de conflitos familiares e você já sabe que alguém vai chorar? É exatamente isso. Mostrar alguém de baixo para cima dá aquele efeito de reizão, enquanto que, de cima para baixo,  mostra uma pessoa oprimida ou apertada por algo (um pensamento, talvez?), por exemplo.

- Diálogos
Isso é bastante óbvio, não é mesmo? Escolher bem as palavras pode trazer um ou outro impacto para a sua cena. Pense no uso de expressões, gírias, informalidade e tudo mais. Às vezes uma reticência basta.

- Expressões dos personagens
Auto-explicativo. Deixo essa imagem maravilhosa de referência: http://shubbabang.tumblr.com/post/108765324728/i-get-numerous-asks-regarding-expressions-i-use-in

Bem, certamente existem outros elementos (como composição, por exemplo), mas esses são os mais relevantes para o estágio em que nos encontramos.

Depois dessa aula, que fecha o ciclo de Layout e composição, tivemos (finalmente!), um tempo para trabalharmos em nossas ideias e esboçarmos nossos layouts. Eu comecei a fazer sobre o do homem sereio, e acabei recebendo bastante ajuda pra melhorar \o/

Ao final, ficou assim (sem os desenhos):

E é isso pra essa semana! Até mais <3

sexta-feira, 22 de julho de 2016

FIQ Jovem 2016 - aula 6 (Mais layout)

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Na aula do dia 16 (julho) tivemos uma continuação da aula de layouts. Ela foi dividida em duas partes, mas não consigo mais me lembrar da primeira para além da menção de alguns modelos de layout americanos e europeus e a imagem de Asterix e Obelix. Mas, você acha tudo o que foi falado aqui nesse link: http://webcomicalliance.com/featured-news/composition-101-laying-out-your-comic-page/
Boa sorte!

Da segunda parte, porém, eu me lembro bem!

Ganhamos 4 páginas desenhadas com uma historinha e tínhamos de reorganizá-la e tirar os problemas de layout que identificássemos (vimos sobre isso na primeira parte, agora me lembro!).


Não foi tãaaao difícil quando pensei que seria, mas também não foi fácil. Refazer as coisas sempre foi algo que me desanimou muito. Quando a palavra mágica "refazer" surge, o Deus da preguiça subitamente invade minha alma e se apossa dela.

Acabei jogando as folhas da refação fora e começando de novo. Parecia menos doloroso que apagar e dar um jeitinho auhuahah. (Apesar de não fazer diferença, você deve estar pensando agora).

Enfim, foi isso.
Para não deixar o post tão vazio, vou colocar alguns desenhos que fiz essa semana enquanto tentava superar a destruição causada pela gripe.

O primeiro foi um desafio. Pedi para o caio três coisas para eu desenhar e eu tinha 3 minutos para fazer cada um.
(As palavras foram: 1. Coelho guerrilheiro 2. Insônia 3. Mundo tomado por Hamsters Biônicos. )

 Um desenho aleatório.
 O Diabo e um cara vermelho.
E é isso!
Até semana que veeeem!

FIQ Jovem 2016 - Aula 5 (layout)

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Hallo!

Nessa semana eu peguei uma gripe que me pregou no chão, daí mal consegui fazer o meu trabalho nessa última semana. To cheia de coisa pra atualizar, mas já parei de prometer aqui ahuhauhau!
Eu.
Enfim, a aula do dia 9 de Junho (5a aula) foi uma das melhores até então! Nós conversamos sobre layout e sobre um milhão de coisas a respeito do mercado gráfico brasileiro.

Claro que eu não lembro de tudo (o que você esperava de mim?), mas anotei algumas coisas e vou colocar tudo aqui (até para referência futura).

A primeira, e mais importante delas, é que realmente teremos uma edição (coletânea) publicada no final do ano! Yes!

As medidas dessa publicação serão:
Capa
546 x 270mm > Isso é a medida da capa aberta. São 27cm de altura e 54,6 de largura (inclui a capa e a contracapa). Algo assim:

Couchè Fosco - 300mg > Couchè é aquele papel que a gente geralmente lembra porque brilha e é lisinho, tipo de foto. Para a capa, porém, foi escolhida uma versão fosca mais rígida. Sabe aqueles livros gostosinhos de passar a mão na capa? Então! Essa coisa se chama acabamento, e tem alguma coisa a ver com veludo no nome pra ficar daquele jeito. A publicação terá disso! yay! (existem outros acabamentos, tipo laminado localizado, como o livro de Harry Potter que brilha nas letras)

4x1 cores > Isso é sobre a quantidade de cores na frente x verso. O verso é a parte interna do livro, e deve ter uma cor, enquanto na capa teremos 4 (C-M-Y-K).

C/ orelhas (7cm cada) > Orelha é a dobrinha pra dentro do livro com as informações dos autores. Isso mesmo, teremos isso também \o/

Miolo
80 páginas > Cada aluno terá 4 páginas para seu quadrinho!
200 x 270mm
Pólen Bold, 90mg > Pólen é o papel amarelinho que vem em livros de fantasia. O 90 é a gramatura dele. Para ter uma noção, o papel a4 ofício que a gente usa no dia a dia, tem uma média de 75mg. Quanto maior a gramatura, mais rígido será o papel.

Depois da apresentação de modelos e estilos de quadrinhos diferentes em impressões variadas, conversamos sobre sobre CMYK x RGB no computador e impressão, e o livro "Produção Gráfica para Designers" de André Villas Boas nos foi recomendado.

 

 Daí descobrimos também sobre o layout que usaremos para o nosso quadrinho, e questões como sangria, margem, onde as coisas são impressas etc.

Folha de exemplo com a área de trabalho.
 A aula seguinte será uma introdução à produção de layouts. Já contei que uma vez fiz quatro páginas inteiras coloridas e depois tive de jogar tudo fora e refazer em dois dias né? Tudo por conta de layout. 

Argh!

domingo, 3 de julho de 2016

FIQ Jovem 2016 - Aula 4 - (Brainstorm e produção)

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Alou! Nessa semana eu consegui terminar mais um livro da série do Mundo Espiritual e logo eu posto uma resenha (junto com do "Nós, Os Afogados", que foi o livro mais incrível do ano!). Também comecei a ler o "Segredos do Reino" do Lucas Hargreaves, e o pacote da MuFish chegou!

Prometo que tentarei atualizar essas coisas todas durante a semana, maaaaas, por enquanto, aqui vão as coisas do curso de formação de quadrinista do FIQ Jovem!

Ainda tentando encontrar o traço certo

Na semana passada eu mencionei  que estava tentando praticar e encontrar um estilo de desenho que fosse bonito e me agradasse. Daí comecei a desenhar em modos que são totalmente desconfortáveis para mim, mas cheguei nesses dois desenhos que gostei bastante (mas que são confortáveis e iguais ao que faço mesmo uhhuaahu!):

 Infelizmente foram os únicos dentro de uma infinidade de sketches que rabisquei no ônibus:




Só aqui que eu tentei desenhar coisa diferente, sry.

Conteúdo da aula

A aula de hoje foi meio / bem / bastante diferente das últimas. Dessa vez deixamos as premissas de lado para montar uma nova em uma dinâmica (irk!) em sala de aula.

Começamos com uma sugestão de tema: A perda de algo inesperado. E daí fomos sugerindo em cima disso.
A perda logo virou "roubo"
Quem deve roubar?
O que deve ser roubado?
Como essa coisa deve ser roubada?

A partir dessas perguntas chegamos a um universo em que um jovem anarquista havia roubado as instituições burocráticas, tornando ele mesmo na própria burocracia. O que significa que ele ficaria sentado atrás de uma mesa o dia inteiro resolvendo coisas pras pessoas, hehe.

E aí tínhamos o formato: 2 páginas.

Como contar uma história dentro desse universo com essa limitação de páginas? Isso levantou a necessidade do foco em um ponto em especial. Precisávamos de começo, meio e fim. Pegamos a fila que provavelmente se formaria para ser atendida, e fomos espremendo e afunilando até chegar no resumo do que seria nosso material real de trabalho.

A história deve ter dois momento: 1. Um personagem desesperado numa fila pq ta chegando a vez dele e ele não sabe o que pedir. 2. Ele chega no final e recebe outra senha. A fila não acabou.

Daí fomos para os rascunhos:
E isso me lembrou que sou uma negação com layouts.

Fiquei frustrada pq só percebi isso depois que tinha terminado, e estava demasiadamente exausta (noite anterior não deu pra dormir porque um inferno com nome de bar fica de música alta até tarde) para refazer. uhahuauh Aí deixei pra lá.

No final rodeamos as mesas para ver os outros desenhos, e fiquei lá babando com uns desenhos que sabiam fazer tudo o que não sei: perspectiva, narrativa fluida com imagens, layouts e expressões. E me deu vontade de chegar  em casa e desenhar bastante até aprender essas coisas.

Daí peguei meu amigo Paint Tool SAI e fui preparar os layouts de uma das histórias.




Preenchi algumas páginas e cansei, exausta (depois da aula ainda fui num Centro ouvir uma reunião sobre Rigidez em nós e os seus efeitos).

De tarefa para a próxima aula ficamos de levar nossas premissas mais bem definidas, com informações precisas dos personagens, estilos, se vamos dividir com alguém o trabalho (e ganhar 4 páginas extras) etc.

Rascunhos de hoje

Enfim, para terminar, acordei querendo desenhar qualquer coisa e voltei no meu sereio. Acho que é o único personagem masculino que tenho que posso fazer caras engraçadas, então vou abusar disso. Hihihi

Nesse estilo, só sei fazer cabeças. O corpo vai ter de ser olhando pra alguma referência, se não sai de palitinho. Orz

Até mais!

domingo, 26 de junho de 2016

FIQ Jovem 2016 - Aula 3 (gêneros e quadrinhos)

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Alou, cá estou eu com mais sobre as aulas que estou tendo do FIQ Jovem esse ano.

Semana passada recebemos um dever de casa de separar quadrinhos e premissas e ilustrar cada um deles (cinco) de modo a mostrar um tanto sobre o estilo visual pretendido para cada um.

Vou postar os que levei pra aula aqui e depois explico sobre o conteúdo do dia e sobre as dicas que recebi (e o que estou fazendo para levá-las a cabo). Aproveito para upar os sketches e comentar sobre o processo.

Premissa 1

Versão final
Para esse quadrinho eu queria uma coisa bem explosiva, com o perdão do trocadilho. Queria sair da minha zona de conforto das cores (pastel) e tentar algo mais vibrante e chamativo. Como você pode ver, eu não consegui me livrar, com sucesso, dos tons pastéis, e fiquei bem longe da estética POP que eu tinha em mente no início.

Nesse eu fiz o sketch já no Paint Tool Sai, arrumei o traço em uma camada superior usando o brush básico e colori também usando do brush, sem textura nem nada.

Achei o resultado 1 muito lavado, e daí tentei  engordar um pouco a personagem e fazer algo diferente do que faço nos meus desenhos (mas um pouco diferente, já que fiquei com medo de sair tanto do que eu faço hauhuahua). Fiz um traçado extra ao longo de algumas linhas, na vã tentativa de "sujar" o traço.

Infelizmente minha obsessão com linhas limpas me fez não ousar tanto nessa alternativa, mas já foi algo que eu consegui experimentar, de levinho, hahahaha.

Premissa 2






Nessa segunda versão eu optei por algo vetorizado. Quis desmanchar as linhas e escolher duas paletas para os personagens, que seriam as únicas usadas ao longo de todo o quadrinho. A ideia era deixar tudo do diabo vermelho, e tudo da menina no creme pastel.

A textura por cima foi para deixar o ambiente mais muerto e suprir minha defasagem em fazer backgrounds, haha!

Premissa 3





Esse foi o que achei mais legal fazer, mas que achei o mais feio de todos huahuahau!

Pastei muito para conseguir decidir as cores, já que nada combinava com o amarelo do cabelo e a pele mais ou menos amarelada. Tentei vermelho, roxo, azul, verde... mas nada ficava bom na cauda dele. Até que saquei o verde-água sem querer e ficou assim mesmo.

Mas daí na hora de fazer o cenário eu me derreti em preguiça e parei no meio do caminho.


De todos os personagens, esse e o Diabo são meus favoritos, mas não consegui ficar satisfeita com nenhum dos dois. Queria um diabo mais bishounen, com umas caras de bishounen de BeruBara, mas ainda ta meio longe do que consigo fazer. Vamos vendo.

(Refiz o sereio à mão e gostei bem mais)

Premissa 4



 



Eu queria pintar para essa versão. Dá para ver ali no meio a falha tentativa, mas acabou que quando chegou na cauda eu desisti e daí colori tudo normal mesmo, com duas sombras, sem pintar. Também foi traçada com pressa por cima do feito à mão.

Pro fundo também fiquei sem ideia, e aí peguei uma imagem de VN e coloquei ruído (tem ruído na personagem também) pra ficar meio recorte de revista.

Premissa 5

Esse foi mais rápido que os outros. Eu estava com pressa para terminar a tempo, então desenhei o personagem à mão antes e fotografei, para só então fazer o tracejado e finalizar com um colorido basicão.

O fundo e o copo são fotografias de banco de imagem, e a fumaça é pintura com milkyday Brush.

Antes de terminar esse desenho eu fiz alguns outros sketches no caderno em poses diferentes, mas essa era a mais prática de terminar antes de sexta-feira (data limite!).

Enfim, a aula de hoje...

A aula focou na questão de gênero nos quadrinhos. Vou colocando cada gênero mencionado e os quadrinhos dados de exemplo para buscarmos como referencial. Não estou com tempo para postar a explicação de um por um ahuhuaha!

Drama
 

Retalhos e Habibi- Craig Thompson
Estranhos no paraíso - Terry Moore

 
O Escultor - Scott McCloud
Vida Louca - Jaime Martin

Humor
Ryotiras - Ricardo Tokumoto
Níquel Nausea - Fernando Gonsales

Épica / Fantasia
Conan - Robert Howard
Holy Avenger - Erica Awano

Ficção Científica
 

Ronin - Frank Miller
Ghost in the Shell - Masamune Shirow

Terror
Uzumaki - Junji Ito
Dora - Bianca Pinheiro

Romance
Karekano - Masami Tsuda
Nana - Ai Yazawa

Suspense
100 Balas - Brian Azzarello e Eduard Risso

Sobre os conselhos da vez e o que estou fazendo para segui-los

Enfim, depois das referências eu recebi dois feedbacks para trabalhar em meus quadrinhos. O primeiro deles diz respeito ao meu traço e à falta de personalidade dele. O segundo diz respeito à mutação do desenho como rascunho para a finalização, identificando esse processo, primariamente, como responsável da perda da alma da ilustração.

Uma sugestão que recebi foi de pegar e experimentar estilos variados que distanciem do mangá. Daí eu abri meu amado Pinterest, fui nas pastas de referência de character design e separei umas 50 ilustrações diferentes e em traços e estilos variados que eu gosto e acho que consigo reproduzir.

Vou tentar desenhar o mesmo personagem nesses estilos todos e depois entender o que posso extrair dessas ilustrações e incorporar no meu traço, tentando dar um pouco mais de vida e eliminando a homogeneização das personagens.

A outra coisa que farei é experimentar outras maneiras de finalização e conversão do desenho rascunho para o desenho final, começando agora mesmo com um quadrinho que desenhei.

Claro que vai demorar ainda pra eu ter um resultado definitivo, mas, se isso ajudar, estou disposta a repetir até que esteja realmente satisfeita.

Vamos lá e até semana que vem <3