domingo, 7 de agosto de 2016

Oficina: Primeiros passos da editoração para autopublicação, com Lila Cruz

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Na sexta feira passada (29) aconteceu o Lady's Comics aqui em BH. É um evento, que está em sua segunda edição, voltada para a produção feminina de quadrinhos. Algumas oficinas bem legais foram abertas e eu acabei me inscrevendo para a de Editoração e Autopublicação, com a Lila Cruz.

Quando me inscrevi, estava certa de que seria algo sobre a editoração de quadrinhos, em si, mas acabou que a oficina foi toda voltada para zines mesmo.

 Começamos já recebendo um zine que mostra como fazer zines :D


Ele é bem sucinto e traz algumas informações sobre formato, escolha do papel, acabamento etc. De um modo bem prático. Ótima referencia para guardar!

Lila começou a oficina explicando sobre o mercado para compra e venda de zines. Explicou como ela começou investindo nisso (compartilhou o percurso dela como 'zineira') e então entrou na parte central sobre produção de zine.


Uma curiosidade importante é que a Lila adquiriu uma máquina de impressão em serigrafia, que é capaz imprimir mais de 15 mil cópias com um galão de cor. Desse modo a produção de zines fica muito mais em conta do que se ela estivesse usando uma impressora a laser ou tinta em casa (ou mandasse imprimir em gráficas), considerando a quantidade que ela produz, é claro.

Vou listar aqui algumas das possibilidades de produção de zine (produzir um montão de uma vez só), sem ordem de importância, mencionadas na oficina:
  1. - Impressão caseira;
  2. - Xerox;
  3. - Fazer à mão (haha, você não vai querer essa);
  4. - Gráfica ($$$);
  5. - Carimbo personalizado (vimos um cara que produz um carimbo gigante para cada página e depois só carimba tudo)
  6. - Colagem;
  7. - Distribuição digital;
  8. - Fotografia (da pra fazer fotonovela e depois copiar as fotos milhares de vezes);
Bem, apesar de nunca ter usado essa expressão (zine), eu cheguei a montar alguns livrinhos de personagens meus para um trabalho de faculdade (que virou minha missão de vida).


Para essa alternativa, eu fiz todo o desenho digital e imprimi em casa mesmo, em impressora a tinta, página por página.

Confesso que achei o processo bem divertido, mas não ousaria repeti-lo. Hauahauahua

Digo isso porque planejei as 16 paginas à mão (desenhando um esquema onde cada uma focaria) depois fui encaixando-as nas folhas em frente e verso, e imprimindo folha a folha (a gramatura que escolhi era pesada demais pra minha impressora, então eu tinha de ir empurrando o papel pra dentro individualmente).

Para a capa, fui à gráfica rápida e pedi para imprimirem para mim, e daí foi outro sufoco porque usavam RGB e não CMYK. Hauahaua! O verde saía sempre muito vibrante e foi um parto até achar o certo.

Essa foi uma das versões com cores erradas. O papel também foi errado e lascou no rosto do personagem.
Encontrar o papel certo também foi sofrido. Passei horas em lojas de material de escritório testando textura e transparência, ate achar algo que acreditasse ser apropriado. Mas deixa que conto sobre o processo em outro post.

Voltando à oficina, depois de uma longa conversa sobre papéis, chegou a minha segunda parte favorita: referências (a primeira é botar a mão na massa). Lila trouxe uma série de fanzines diferentes, indo desde o fofíssimo Mix Tape, da Lu Cafaggi, até o super hiper legal Zine XXX todo impresso em rosa.

Pegar nessas peças realmente enche nossa cabeça de ideias. Meu caderno ia se entupindo de anotações à medida que eu pegava no próximo zine, e até mesmo me ajudava a entender o que eu não gostaria para meus quadrinhos.

Foto da oficina. Eu estava no canto direito, fora da foto.
 O ponto final foi sobre a distribuição dos Zines, a parte que acho mais difícil.

Digo que é a mais difícil porque essa, infelizmente, não depende só de você. Depende das suas habilidades sociais (coisa que não tenho), da qualidade do seu trabalho e, claro, do interesse do outro. Se eu pudesse desenhar e escrever para sempre só para mim, e ganhar dinheiro com isso, seria maravilhoso e perfeito = meu mundo ideal. Infelizmente não é bem assim (pode ser em algum futuro próximo), e daí você precisa convencer as pessoas de comprar o seu material, de distribuí-lo, de falar bem etc e tal.  Precisa ir às feiras, precisa conversar com as editoras, precisa fidelizar e alimentar o seu público.

E... essa parte realmente me desanima Orz

Enfim. Por hoje é isso. Outro dia eu posto um passo-a-passo de como fiz os quadrinhos (zines) de Jeghen Fal 279 e explicado tintim por tintim.

Até lá!



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

FIQ Jovem - Aula 7 (Layout de novo, mas com emoções)

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Hallo!
Tentando manter o blog atualizado com as últimas aulas, venho hoje falar da número 7, do dia 23 de julho.


Nessa aula nos mantivemos na questão do Layout, com foco em timing e composição na hora de buscar um objetivo emocional para a história. O mais legal foi a quantidade de referências que nos foram apresentadas (eu conheço muito pouco de quadrinhos fora os mainstream, então é sempre proveitoso quando nos passam mais referências). Dentre elas, alguns títulos como Bullet Coprs, Darkness, Gourmet etc.

Uma das coisas mais importantes da aula, porém, foi nos lembrar de que, sempre que formos montar um layout devemos pensar "Qual sentimento quero passar com meus quadros?" antes de qualquer coisa.

Para isso, podemos considerar em uma série de pontos:

- Cores

 Acho que o uso de cor é o mais óbvio para a criação de emoção. Tons escuros para coisas tristes, vermelho para cenas fortes etc e tal.  Apesar dessas coisas serem bem intuitivas, catei esse guia a respeito de cores e emoções:



https://thinklivebepositive.wordpress.com/2014/04/04/fiction-and-film-assignment-2/color-emotion-guide/

Sempre que alguém me fala de cores em quadrinhos eu lembro dessa tira sobre Game Boy que saiu há alguns anos, em gif: (Acho o esquema de cores e a sensação nostálgica que ele passa incrível!)

http://intradayfun.com/2015/06/the-beauty-of-the-nintendo-game-boy/


- Timing

Timing é uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado a respeito até essa aula. É outro ponto bastante intuitivo: quadros grandes levam mais tempo, quadros pequenos levam menos tempo.
Quer um exemplo?


Fonte

Aqui da pra ver que a explosão leva mais tempo do que a 'olhada' da personagem e, por isso, pega um quadro muito maior.
O timing está nisso, em pensar no ritmo da história com seus quadros, diálogos, desenho etc.

- Ângulos e enquadramento

Ángulo é uma coisa que a gente vê na novela o tempo todo. Na faculdade aprendemos que enquadramentos recebem também nomes de 'planos", tipo o americano, o close etc.

Aqui vão exemplos:


Sabe quando dá o close no programa de conflitos familiares e você já sabe que alguém vai chorar? É exatamente isso. Mostrar alguém de baixo para cima dá aquele efeito de reizão, enquanto que, de cima para baixo,  mostra uma pessoa oprimida ou apertada por algo (um pensamento, talvez?), por exemplo.

- Diálogos
Isso é bastante óbvio, não é mesmo? Escolher bem as palavras pode trazer um ou outro impacto para a sua cena. Pense no uso de expressões, gírias, informalidade e tudo mais. Às vezes uma reticência basta.

- Expressões dos personagens
Auto-explicativo. Deixo essa imagem maravilhosa de referência: http://shubbabang.tumblr.com/post/108765324728/i-get-numerous-asks-regarding-expressions-i-use-in

Bem, certamente existem outros elementos (como composição, por exemplo), mas esses são os mais relevantes para o estágio em que nos encontramos.

Depois dessa aula, que fecha o ciclo de Layout e composição, tivemos (finalmente!), um tempo para trabalharmos em nossas ideias e esboçarmos nossos layouts. Eu comecei a fazer sobre o do homem sereio, e acabei recebendo bastante ajuda pra melhorar \o/

Ao final, ficou assim (sem os desenhos):

E é isso pra essa semana! Até mais <3