sábado, 19 de março de 2016

Livro: O Demonologista

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O Demonologista
Andrew Pyper
ISBN: 8566636406
Páginas:320
Lançamento: 2015
Preço: R$24.00
Editora: DarkSide Books
Pontuação: *** ( 2/5 )
"Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma.
Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno." 

O Demonologista faz parte do meu desafio desse ano de ler pelo menos 10 autores de ficção que não sejam de autores americanos ou britânicos. Andrew Pyper é canadense, e provavelmente autor do primeiro livro de terror "adulto" que eu ouso ler. Confesso que peguei o livro mais ou menos na sorte, não sabia do Hype que estava por trás do título. Acessei o site, conferi o saldo do meu Sodexo Vale Cultura, e fui nas promoções do site e selecionando tudo o que daria para encaixar no orçamento e no desafio dos 10 autores ao mesmo tempo. Não só isso, eu já estava curiosa para ter um livro da DarkSide há algum tempo.


A edição, como eu já esperava, não decepciona. O acabamento do livro é maravilhoso, começando pela capa aveludada (se você já me segue no snapchat provavelmente viu os surtos que gravei com a qualidade do livro), os relevos nas palavras, a divisão de capítulos com páginas negras, espaçamento, fonte e papel creme, ilustrações e anexos ao final do livro. Ele é maravilhoso, e com certeza é um daqueles livros que ficam perfeitos como centro na mesa, ou de acessório para fotos.

Mas bem, pra mim, ficou só nisso mesmo. E agora me adianto a explicar o que me leva a dar 2 estrelas para esse livro que é tão adorado pelas interwebs afora.


Começando pelo protagonista, confesso que só descobri o nome dele agora, enquanto procurava pela sinopse para colar aqui. O tal do David, apesar de ser também o narrador dessa história, não me inspirou simpatia desde o começo, e daí parece que ele não também não toma qualquer atitude para te convencer de que você deve torcer é para ele ao longo da história. Confesso que em diversas situações eu esperava que ele se desse mal, morresse ou fosse tomado pelos demônios pra ver se dava alguma agitada na história, mas o bendito mantém chato e quadrado do início ao fim.

Ah, outra coisa muito irritante é que as coisas simplesmente caem no colo de David para que ele vá para a próxima pista. A impressão que tenho é de que existe uma grande mão invisível empurrando o pastelão do protagonista pra próxima fase, já que ele não tem energia suficiente para estudar e avançar por si mesmo.

Lembro de ter lido em algum lugar da sinopse que David seria um erudito. Erudito talvez só na intenção. O protagonista é um homem de um livro só, e péssimo conhecedor de Demonologia, como você vai perceber ao longo do texto e em suas interações com o "Inominável". Eu, na minha limitação acadêmica a respeito dos estudos de teologia, estaria mais preparada pra lidar com o Diabo do que o David, que de referência só tem Milton e seu Paraíso Perdido. O cara provavelmente nunca leu mais que duas páginas da Bíblia (apesar de suas únicas referências de demônio serem cristãs), ou A Divina Comédia, e isso eu explicarei mais para frente.

Na verdade, o personagem é bem instável. Num momento ele é cético. No outro tá ok conversando com o demônio. Numa hora ele é ateu. Depois ta pensando em Deus. Numa hora é o certinho, depois ta lá roubando carro como se fosse uma atividade diária, sem medo, sem dúvida, sem oscilar. WAT? Ele é o narrador, mas, em diversas situações, tem acesso ilimitado à mente de outras personagens. Ele é algum tipo de X-Men? Não? Então como ele consegue descrever o que pessoas e espíritos estão sentindo? Pode ser só uma suposição, você diria, mas acho que vai além disso. Fosse esse um livro em terceira pessoa talvez o autor teria sucedido melhor na proposta de um terror de verdade.


Falando em terror, já aviso aqui: Esse livro NÃO assusta. Assistir ao jornal da noite provavelmente o deixaria mais impressionado que a aparição dos demônios e suas manifestações nesse livro. Nesse ponto, porém, admito que minha inclinação religiosa pode ter atrapalhado um tanto na experiência como leitora, mas, vamos lá, de todo modo:

-> Os espíritos do livro não se incluem na lei do eletromagnetismo universal. Espírito é energia, bem como toda manifestação que lhe é dada. Ele só consegue se tonar um obsessor se existe afinidade ou cessão voluntária de energia. Mas os do livro são bem divinificados, ou seja, tem acesso livre a qualquer um, vão pra onde lhes interessa e se apossam de quem querem. Pensando que os espíritos inferiores rondam livremente, onde estariam os superiores? Só pessoas más têm vida após a morte? Eles simplesmente não existem no livro. Baita quebra de expectativa e polarização conveniente à narrativa.

-> O Demônio só pode tomar a forma de pessoas que já morreram. (????) Ele espera a pessoa morrer (ou mata elas quando quer, nunca vi demônio tão livre pra agir antes...) e só então personifica elas. E calma, ele pode personificar duas ao mesmo tempo! E fazer as duas aparecerem juntas! Ele faz mitose? Ou ele controla a alma dos mortos? Se ele tem elasticidade espiritual para morfar sua imagem, não deveriam existir limitações para mortos ou vivos, não é mesmo?

-> O demônio é TÃO, mas TÃO poderoso que ele pode entrar no corpo de alguém (sabemos que espíritos não entram no corpo da pessoa, mas estabelecem ligações. Dois corpos não habitam um mesmo espaço, e isso é bem claro para a física) e saltar de algum lugar e fazer o corpo desaparecer na queda (??)! Sim, o demônio desfaz e refaz materialidade terrena. Ele se materializa a partir de fluidos que não sabemos de onde vem, e desfaz esses mesmos fluidos com a mesma facilidade.

Aí vem uma série de furos irritantes na história. (Não estou nem falando da narrativa ainda, mas apenas na construção das personagens e suas interações). O David é ultra letrado, o maior especialista, o melhor sei lá o quê dos Estados Unidos, mas obviamente não faz a mínima ideia de como se combate um demônio. Ele leu a Bíblia, a gente percebe em uma e outra citação ao longo do livro, mas obviamente só leu umas 5 páginas. Tivesse lido com a dedicação de um verdadeiro acadêmico, (há maior repositório de histórias de demônios cristãos?) ele teria se dado conta de que a maior arma contra qualquer tipo de espírito inferior é a palavra:
"Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoniados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos..." (Mateus 8:16)
"Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês." (Tiago 4:7)
"Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino - e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem!"" (Marcos 1:27)
 "Jesus o repreendeu, e disse: "Cale-se e saia dele!" Então o demônio jogou o homem no chão diante de todos e saiu dele sem o ferir. Todos ficaram admirados e diziam uns aos outros: "Que palavra é esta? Até aos espíritos imundos ele dá ordens com autoridade e poder, e eles saem!" (Lucas 4:33-36)
 E daí pra mais umas 200 citações em que fica claro como se combate um demônio. David, ao contrário, deixa-se levar pela ignorância, e precisa de 300 páginas para finalmente entender que poderia tentar argumentar contra o demônio (e nisso ele falha miseravelmente). Oh, so smart.


 Outro problema que não deu para ignorar é a quantidade de brechas e falhas que existem no discurso do diabo malvadão do livro. Ele repete várias vezes que é importante se rebelar e não obedecer autoridades e que gosta disso, mas chama Satanás de "mestre" e se diz "seu servo" mais de uma vez. (????) Seus argumentos são todos muuuuito humanos para um ser que está se arrastando entre as sombras por milênios. Pelo que o livro mostra, ele gastou esses milhares ou milhões de ano lendo Milton. E só. Porque é só disso que ele fala.

A resenha acabou ficando bem maior do que eu esperava, então vou resumir os outros pontos do livro:

- Tem uma cena desnecessária de quase-sexo, que até agora não entendi.
- A narrativa é arrastada, as descrições de lugares são péssimas e perdem o fôlego logo no início.
- Ao longo de todo o livro você sente que o autor está "trying too hard" para deixar o livro com um tom sombrio, e isso destrói tudo. 
- A personagem mais legal vai embora nas primeiras páginas.
- O livro não é sobre demônios. Se ele for sobre alguma coisa, é sobre depressão e paternidade.

- Os diálogos são mais ou menos. Estão longíssimo de terem um bom fluxo, mas também não são truncados como em uma leitura juvenil.
- A igreja está atrás do protagonista também, mas pelo visto ela só tem dinheiro pra mandar um random mal treinado.
- Ele acredita em espírito, mas não em vida após a morte. Essa parte eu acho a mais ???? do livro. Se não existe vida, o que é o espírito?  Um eco? Isso também não fica claro no livro.
- O final é péssimo e acaba no ar.




Apesar de tudo, o livro é bem visual. As descrições, os arranjos, os diálogos e o clima são todos bem "filmescos" e acho que isso que deve ter sido isso que agradou quem realmente gostou do livro. Dá para ler e ir montando seu filmezinho mental. Mas o final... ah, o final. Desejo boa sorte ao diretor que pegar o filme que vai sair. Se ele for tão capaz de transformar o livro como foi Peter Jackson com Senhor dos Anéis, talvez saia algo legal. Mas até então, zero chances de eu ocupar minha mente com o seu lançamento.

Finalizo essa resenha com uma coisa que aprendi com Stephen King: Um livro ruim valerá 100 vezes mais que qualquer oficina de escrita criativa. E ele está certíssimo, principalmente se tratando de O Demonologista. Depois de ler tudo isso já sei exatamente o que NÃO fazer se um dia decidir escrever um terror. Ou qualquer outra coisa na minha vida.

sábado, 12 de março de 2016

Fui ao lançamento do livro: Segredos do Reino

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Ontem (11/03) fui à Leitura do Pátio Savassi para o lançamento do livro "Segredos do Reino". O autor, Lucas Hargreaves, é amigo de infância, lá dos tempos do fundamental no colégio, e ontem lançou seu primeiro título literário <3

Eu fui vestida de mendiga...
Eu nunca havia ido a um lançamento de livro antes. Eu geralmente vejo isso nos filmes ou em entrevistas na televisão, mas confesso que nunca conheci ninguém que fosse lançar, nem nunca vi convite ou anúncio de algo que pudesse chamar a atenção (ou minha presença). Mas, daí, é óbvio que ontem eu não poderia faltar.


O lançamento foi no Terraço Leitura (que, até ontem, eu não sabia que existia). E tava cheio de gente bem vestida sendo servida por alguns garçons que carregavam vinho e água, para além do lanchinho com queijo que estava exposto na mesa por lá. O Lucas ficava no centro, ao fundo, autografando livro por livro e parando para fotos (que trabalhão essa parte!). Eu tava vestida como mendiga, já que não fazia a mínima ideia de como me vestir para ir pra lá, e reparei que grande maioria tava bem elegante (eu tava de ônibus, qual a chance de ir arrumadinha?).


<3

Enfim, foi bem legal a primeira experiência :D O livro saiu a R$40.00 lá na Leitura da Savassi, com direito a xícara temática de brinde e autógrafo na hora.

Ainda não peguei o meu para ler, mas a sinopse já promete muito! (Ainda tenho de terminar o 'Nós, os Afogados.. meu deus, que livro imenso.)

 O que uma princesa, um comerciante sem sorte, uma pintora excêntrica, o líder de uma quadrilha, um monge amnésico e um homem depressivo com apenas dez centímetros de altura têm em comum? Bem, por ora apenas um único objetivo: desmascarar o perverso rei Clausius perante a população do reino, destronando-o de uma vez por todas. Conseguirão eles lidar com todos os obstáculos que atravessam seu caminho, incluindo o próprio exército real?

"Há peças demais no xadrez. É hora de chacoalhar o tabuleiro." - Rei Clausius.

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