segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Lucia di Lammermoor - A ópera quase boa

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Nesse final de semana fui ao Palácio das Artes assistir à ópera Lucia Di Lammermoor. No título eu a chamo de "quase boa" porque nesse ano assisti Carmen e pude presenciar o que realmente compõe um desastre operístico. Não foi o caso dessa vez.

Lucia é a segunda ópera do ano pela Fundação Clóvis Salgado. O Grande Teatro do Palácio das Artes, com sua acústica deficiente para produções operísticas, é nossa única infeliz opção aqui em Belo Horizonte. Você grita: "mas é a melhor estrutura que temos!" o que é uma pena, pois nivela todos os outros por baixo.

Veja bem, a ópera foi ok. Não boa, não ruim, apenas ok. Um entremeio lançado ao limbo, sustentado pela maravilhosa habilidade dos atores e despencado pela péssima figuração.


E é sobre isso que quero falar nesse post.
Farei algo mais organizado:

Os solistas eram todos maravilhosos, Foi o melhor agrupamento desses últimos dois anos que vi na FCS. A soprano (Lucia) estava impecável na voz, compensando a interpretação. Estou certa de que ela seria perfeita para Carmen, de Bizet.

Foi a melhor ária que ouvi desde a Flauta Mágica.

 O cenário era incrível. Inovou sem destruir a peça. A inovação inteligente.

O coral foi a escolha mais acertada dessa produção, compensando por algumas várias falhas de "coreografia". (O que foi aquela dancinha de bêbados ao final? pelamor. Muito bagunçado.)

A orquestra estava igualmente maravilhosa, principalmente a flautista que acompanhou Lucia, mas voltamos ao problema da estrutura do Palácio. O que quero dizer é que não foram poucas as vezes em que o áudio da orquestra - afinadíssima - sobrepunha a voz do cantor, apagando boa parte de suas frases (e daí que estava em italiano?) e finalizações. Dois passos para trás da borda do palco e pronto, sua voz já se abafava.

O figurino destruiu todo o esforço dos solistas.

Agora é a hora de soar como uma senhora do século passado, avessa às mudanças. Preciso lembrar que estamos em Minas Gerais, uma cidade de crítica tradicionalista quando voltada às artes, formada por uma população que sempre teve a tal da "modernidade" enfiada goela abaixo (Ou vai me dizer que a maioria da população realmente curte alguma coisa de Niemeyer?).

A desculpa que vi se repetir no libretto era algo a respeito do desejo de tornar essa peça atemporal.

"(...) Definimos então ambientar a história no mundo contemporâneo, com referências à década de 60. Década eleita como símbolo de fortes lutas mundiais pelo poder."

"(...) utilizamos vários trajes históricos para o coro feminino, reforçando a ideia de atemporalidade."
- Sofia di Nunzio. A figurinista dessa peça.


Década de 60 eleita pela presença de lutas mundiais pelo poder. 
Quem elegeu isso, meu deus?
Década de 60, pós  Guerras Mundiais e parte da Guerra Fria marcada pela corrida espacial em uma ópera escrita para Escócia do século XVIII. Década de 60, depois que as duas grandes guerras passaram, foi a escolhida para representar lutas mundiais pelo poder.
...

Ideia de atemporalidade -> referências à década de 60.
Atemporalidade ou referência à década de 60? Colocar um personagem de Allstar não foi nada inteligente. Queria que a figurinista estivesse na platéia para ouvir a indignação de quem assistia.

 "utilizamos vários trajes históricos para o coro feminino, reforçando a ideia de atemporalidade."
Não. Foram pegos vários restos aleatórios de figurino que estavam jogados no acervo da Fundação para serem usados sob esse pretexto bizarro. Desde quando pessoas aleatórias de Kimono de cetim festa é um traje histórico? Desde quando vestidos de crinolina lateral com cabelo liso e franjinha é algo histórico? Não foi a ideia de atemporalidade reforçada naquele palco, mas a clara confusão de estilos que distraiu a peça dos solistas.

O figurino roubou a cena.
Roubou e jogou num buraco bem fundo, de onde não deve nunca mais sair.

Dá uma olhada nessa atemporalidade toda...
Ainda no assunto traje, quem raios desenhou esse vestido de Lucia?
A cena do casamento soa para ela como um velório, porque não usar um vestido de luto se queria chocar? Onde estava o sangue após o assassinato? Por que você colou flores de crepom num vestido xadrez de tecido grosso com capa vermelha transparente e achou que isso seria atemporal? Ou melhor, porque achou que isso era algo viável?

A surpresa do irmão de Lúcia certamente não era pela tristeza ou pela falta do Branco no vestido de casamento, mas pela falta de senso da irmã de usar uma peça tão... tão... horrorosa.

Para efeito de comparação, outras Lucias em seus trajes de casamento:


Infelizmente não foi só Lucia vítima dessa aberração estilicionista.

Na peça original Edgardo se mata com um punhal, bem estilo Romeu e Julieta. Por que raios foram enfiar uma arma de fogo? Por que o fusca na obra atemporal? Por que a crinolina marcada no vestido de uma cama apenas? Por que tantas barbaridades em uma peça que tinha de tudo pra dar certo? Faltou dinheiro para as roupas? Por que o cenário incrível deixou-se destruir pelos personagens mal vestidos?


E aqui está um exemplo de Lucia di Lamermoor com um figurino de verdade, feito aqui no Brasil, no Amazonas. Sem entrar no mérito das óbvias diferenças musicais, é evidente como o figurino compensa o cenário deficiente. Coisa reversa aqui em BH.



Enfim, o que mais incomoda é esse vício doentio da Fundação Clóvis Salgado de inovar sem pesquisa, sem conversa com o público. Perguntam-se porque a venda de ingressos diminuem mas só fazem contribuir para a desfidelização do público.


Quem pensou que era necessário mudar alguma coisa da ópera? Se até então você não entendeu minha indignação, imagine-se indo ao cinema assistir Star Wars. Na primeira cena aparece Darth Vader de Jeans e camisa regata. Na segunda Amidala é vista de longuette. Yoda luta com uma banana, e as naves são carrinhos de pipoca. Estão todos na favela do Rio. Que festa! NÃO


Quem disse que a temporalidade também não é componente essencial da narrativa? 

Quem te fez esquecer que a temporalidade é fator fundamental da construção psicológica das personagens?

Se estou indo á ópera, se paguei pelo ingresso, se saí da minha casa para ir à noite ao centro da cidade é porque, no mínimo, quero ver o título pelo qual paguei. Não qualquer coisa transfigurada. Não peças de modernidade, não um título alterado sob a égide da "referência a movimentos sociais". Lúcia, ao contrário do que apareceu nas páginas do Facebook da Fundação, não é uma personagem feminista. Não é usando movimentos sociais de relevância na atualidade que a peça desfigurada nas roupas das personagens se tornará mais palatável, se tornará um produto de apreciação das

Sinto muito pelos solistas.
Uma peça que tinha de tudo para ser maravilhosa aninhou-se no poço escuro do medianismo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Laurinha, Por que você sumiu? Jeghen Fal!

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Pras pessoas que estavam me perguntando por que sumi dos ambientes virtuais de interação, a resposta é a mesma dos últimos anos: Jeghen Fal 279

Se você não sabe o que é Jeghen Fal 279 e me conhece há mais de 5 anos, reconsidere nossa relação, por favor. (brinks)

Jeghen Fal 279 foi o meu projeto de TCC, que cresceu tanto que tomou proporções descabidas na minha vida. Foi um grande universo ficcional que criei para testar a teoria da Transmídia durante a faculdade. Foi um título que começou como livro online seriado, virou jogo, quadrinho, livro de receitas, programa online, ensaio fotográfico, cosplay, drama CD, podcast e etc e tal.

Durante 2015 eu comecei a reformular a série, aprimorar minhas habilidades e estudar bastante sobre narrativa para melhorar a qualidade do livro. Já fiz tanta coisa nova pra série esse ano que, olhando pra trás, eu mesma mal posso acreditar.

Ainda hoje, é isso que fica na minha cabeça por pelo menos 12h do dia, e é nisso que venho trabalhando.

O site antigo foi reformulando, mas ainda não está totalmente arrumado. Levei 8371823293 horas pra fazer o novo Layout e encaixar as coisas e cores do jeito que queria. Agora o trabalhoso é realocar todo o conteúdo e abrir a loja pelo Esty. Considerei migrar pro Wordpress e sair do Blogger, mas 99 DÓLARES ao ano não está dentro das minhas condições financeiras.

Então vou deixar aqui algumas ilustrações que tenho feito pra reformar a WIKIA da série :D
Earlibelle

Lowell

Lawfer




E o Tristaine, com fundo:

Então, é isso. No meu tempo livre tenho costurado e reescrito os livros e refeito as artes. Meus planos envolvem ter quase tudo pronto até 2017. Mas prefiro não trabalhar com metas, já sabe né? Nesse caso é muito perigoso eu dobrar a meta, para que a meta possa nunca ser alcançada.


domingo, 15 de novembro de 2015

FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos 2015 - Dia 2

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Ontem eu fiz a postagem sobre o primeiro dia de FIQ, então cá estou para contar sobre meu segundo dia (e 5° e último dia de evento).

Hoje, graças a Deus, o tempo estava bem mais tolerável (veja bem, tolerável, o que significa que podemos sobreviver, não viver.), mas o calor continuava incisivo lá dentro da Serraria. Fui em busca dos cosplayers que eu pretendia fotografar para o Garotas Geeks, mas, infelizmente, não encontrei mais que 15 cosplayers por lá. Perfeitamente compreensível quando a temperatura está nível Mordor. Senti falta de alguém vestido de O Um Anel por lá, seria muito adequado.

Do pessoal que estava por lá fantasiado, consegui até umas fotos que logo logo devem ir para uma galeria:

Mas com modelos bonitas fica difícil não gostar da foto. huahua
Fora isso, não comprei nada além de boosters.

(e tirei um Flareon e um Vaporeon <3 <3)
E aproveitei para fazer a oficina de Aquarela com Lelis (achei que fosse mulher quando li o nome... Não entendi quando o cara chegou e começou a falar. A única Lelis que conheci era mulher.)


Particularmente não gostei da oficina. Mas talvez você não deveria me ouvir, sou do tipo que fica impaciente nesse tipo de coisa não-tão-didática, em que o palestrante chega, diz que ele faz assim e assado e te solta lá pra fazer do seu jeito. O cara sabia pintar, pintava muito bem, mas a didática não foi voltada para meu modo de aprender a fazer as coisas.



Desenhei a Earlibelle e pintei com o que tinha lá. Perdi a vontade no meio e acabei largando o desenho de lado uhauhhauuha (E paguei 33R$ nesse bloco de folhas, aff.)

No mais, hoje foi só isso. Conversei com alguns expositores e boa parte me disse que as vendas não estavam boas se comparado ao ano passado. Alguns reclamaram da disposição das mesas, da quantidade de expositores, do calor degradante, da bagunça de pessoas e até um falou que a crise devia estar atrapalhando as vendas. Só o pessoal que organiza o FIQ pode dizer com certeza depois de analisar os dados que, talvez, tenham sido colhidos ao longo do evento (espero!).


E é isso! Até mais <3

sábado, 14 de novembro de 2015

FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos 2015 - Dia 1

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Fui hoje ao terceiro dia do FIQ (forno imensamente quente) aqui em BH!
O evento acontece tradicionalmente na Serraria Souza Pinto, perto do Hiper Centro de BH.

Se você me acompanha no Twitter sabe como eu não gosto daquele lugar. Além da localização (impossível de circular sozinha depois que o Sol se pôs), o calor na parte geral do evento (onde os expositores ficam) é desumano. Hoje, principalmente, estava um grande forno de padaria e nós, mineirinhos, éramos os pães de queijo.


Cheguei lá durante a tarde, quando já estava tão quente que comecei a plasmar e perder a forma original do meu corpo. Sinto que eu começava a parecer o querido Jabba the Hutt quando finalmente achei um espaço entre a multidão compacta. Não consegui olhar as lojas, e passar pelos estandes foi terrivelmente doloroso. Sinto muito pelos expositores e o calor que estava fazendo.

Não vi muitos cosplays. Acredito que estarão por lá no domingo, quando haverá um desfile e talz. Sinto muito por eles também. Só de pensar na roupinha de oxford que não transpira, acumulando o suor de mil sóis eu já começo a passar mal.


Mas tinha o pessoal de Star Wars, que foi no metrô comigo e chegou só depois de 1h, porque eram parados a cada 10 minutos por alguém que queria fotos (isso no caminho do metrô até a Serraria);

Enfim, havia fila para entrar na Leitura e na Comix (que tinham estandes gigantes) e o único lugar habitável era dentro da Tenda com os convidados.

Eu comprei alguns quadrinhos, todos independentes, e usei o seguinte critério para comprar:
1. Aparência - Se o traço era num estilo que eu curtia, a temática era algo aceitável e parecia diferente e único àquela pessoa.
2. O Expositor - Se a pessoa que expunha era simpática, se era interessada em sua própria obra, se estava disposta a dar um sorriso.
3. O Preço - Minha média pagável era até 15 reais, coisa que não pago em quadrinhos de alta tiragem como mangá, mas abri exceção para um maravilhoso e paguei 30 nele hahah.

Essas três coisas eram decisivas na compra ou não do quadrinho. Em um caso apenas que eu comprei e só depois entendi que o(a) expositor(a) não estava tão a fim assim de sua própria obra (DAFUQ/)


Aqui algumas imagens do interior desses quadrinhos:






Esse último, Sossego, tem um traço maravilhoso... O cara assinou pra mim o quadrinho com um desenho impecável. <O> <3

E é isso por hora. Amanhã tenho oficina lá, mas estou ainda considerando se realmente irei. O calor estava assombroso, sinceramente. Forno Imensamente Quente.